Durante o seminário “Paralelos e encruzilhadas regulatórias: tabaco, alimentos e ambientes digitais”, realizado em 28 de agosto na Faculdade de Direito da USP, o GDPP recebeu os pesquisadores Jeff Chester, diretor do Center for Digital Democracy (CDD), e Kathryn Montgomery, professora emérita da American University e estrategista sênior do mesmo centro. A palestra “Vigilância Comercial, […]
Durante o seminário “Paralelos e encruzilhadas regulatórias: tabaco, alimentos e ambientes digitais”, realizado em 28 de agosto na Faculdade de Direito da USP, o GDPP recebeu os pesquisadores Jeff Chester, diretor do Center for Digital Democracy (CDD), e Kathryn Montgomery, professora emérita da American University e estrategista sênior do mesmo centro. A palestra “Vigilância Comercial, Saúde Pública e Democracia Digital” abordou os impactos do marketing digital e da inteligência artificial generativa sobre a saúde pública, a privacidade e a democracia, em paralelo com os desafios regulatórios do tabaco, do álcool e dos alimentos ultraprocessados.
Os convidados destacaram como as grandes indústrias — de produtos ultraprocessados, tabaco e álcool — têm operado de forma convergente, utilizando ferramentas de vigilância comercial, influenciadores digitais e estratégias de engajamento contínuo. “As empresas de ultraprocessados são hoje, também, grandes companhias de dados”, afirmou Chester, ressaltando que a coleta massiva de informações pessoais se tornou central para o modelo de negócios.
Montgomery apresentou exemplos recentes de campanhas de marketing digital que combinam inteligência artificial, entretenimento de marca e exploração de processos inconscientes. Segundo ela, a publicidade digital é imersiva, personalizada e integrada às interações sociais, atingindo especialmente crianças e adolescentes em fases de desenvolvimento crítico. “É fundamental entender que se trata de um sistema global que se diferencia radicalmente da publicidade tradicional”, enfatizou.
Um dos pontos de maior atenção foi o avanço da inteligência artificial generativa. Os pesquisadores mostraram como essas tecnologias permitem automatizar processos publicitários, criar campanhas multilíngues, desenvolver influenciadores virtuais e explorar dados biométricos e emocionais para personalizar mensagens. Essa transformação amplia riscos à saúde pública, mas também ameaça direitos fundamentais como a privacidade e o acesso a informações confiáveis.
Na sessão de perguntas, discutiu-se o papel das leis de proteção de dados e as possibilidades de articulação entre academia, sociedade civil e órgãos reguladores. Os palestrantes defenderam a construção de coalizões intersetoriais e a urgência de uma narrativa pública clara sobre os riscos do sistema digital. “Precisamos de uma agenda unificada entre saúde pública, privacidade e direitos digitais para enfrentar esse desafio global”, resumiu Montgomery.
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