Confira artigo de Clara Mota, Mariana Levy, Carolina Saito, Raquel Pimenta e Beatriz Kira
O recente litígio movido pelo adolescente norte-americano Bryce Martinez contra grandes fabricantes de alimentos ultraprocessados nos Estados Unidos pode mudar os rumos da regulação da indústria alimentícia. É o que contam as pesquisadoras Clara Mota, Mariana Levy, Carolina Saito, Raquel Pimenta e Beatriz Kira no artigo “Alimentos ultraprocessados na mira da justiça“, publicado na coluna Elas no Jota.
Alegando ter desenvolvido diabetes tipo 2 e esteatose hepática, Martinez acusa as empresas de “negligência e fraude ao omitirem informações sobre a composição e os riscos dos ultraprocessados”. O caso questiona também o marketing direcionado ao público infantil, denunciando “estratégias ilícitas de propaganda” que incentivam o consumo excessivo desses produtos.
Segundo as pesquisadoras, o processo associa as práticas da indústria alimentícia ao histórico da indústria do tabaco, argumentando que os ultraprocessados “passaram a receber aditivos causadores de vício e dependência” e que as empresas “sempre souberam dos riscos que seus produtos representam para a saúde pública, mas optaram por ignorar e não transmitir os alertas”. A judicialização desse tema pode pressionar reguladores e influenciar o debate global sobre a responsabilidade corporativa na alimentação.